O descolamento de retina é uma das poucas urgências verdadeiras da oftalmologia. Quando a retina se solta da parede do olho, as células visuais começam a perder função em questão de horas a dias. O tempo entre o sintoma e a cirurgia influencia diretamente o resultado visual final.
Os três sinais clássicos
- Flashes de luz (fotopsias): clarões rápidos, como relâmpagos, principalmente na visão lateral e em ambientes escuros;
- Chuva de moscas volantes: surgimento súbito de dezenas de pontinhos ou fiapos escuros flutuando na visão;
- Cortina ou sombra: uma área escura fixa que avança pelo campo de visão, como uma cortina se fechando.
Quem tem mais risco?
- Pessoas com miopia alta (o olho míope é mais alongado e a retina, mais fina);
- Quem já sofreu trauma ocular ou pancadas fortes na cabeça;
- Histórico de descolamento no outro olho ou na família;
- Cirurgias oculares prévias;
- Diabetes com retinopatia avançada.
Como é o tratamento?
Depende do estágio. Rasgos na retina detectados antes do descolamento podem ser "soldados" com laser, em procedimento rápido de consultório. Quando a retina já descolou, o tratamento é cirúrgico — vitrectomia, retinopexia pneumática ou introflexão escleral — e a escolha da técnica exige avaliação individualizada do caso.
E depois da cirurgia?
A recuperação pode exigir cuidados específicos, como manter uma posição de cabeça por alguns dias (quando se usa gás dentro do olho). Oriento tudo por escrito e acompanho de perto cada etapa da cicatrização, porque sei que esse período gera ansiedade.
Moscas volantes novas e flashes de luz merecem exame de fundo de olho com urgência — é um exame simples que pode evitar uma cirurgia grande.